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“Para viajar basta existir. ... Fernando Pessoa
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16 de julho de 2012

A Cachoeira do Buracão

É uma das grandes maravilhas da Chapada Diamantina. Impressiona tanto no porte quanto pela sua localização. Seu nome já diz, é um grande buraco, um panelão, e o melhor é como você chega aos pés dela.




Percorri trinta quilômetros por uma estrada rural com o guia-moto-táxi. Seguimos a  por uma trilha que acompanha o Rio Riachão por cerca de uma hora entre largos fluxos de água e grandes piscinas naturais. O barulho caudaloso da queda atiça os ânimos, chegamos no mirante. Ficamos na borda de um enorme poço natural com cerca de 50 metros de diâmetro e 90 de profundidade.



A trilha continua adentrando os paredões abaixo. Para chegar na cachoeira atravessamos uma ponte e seguimos trepando pela lateral de um estreito cânion, é possível ir pela água também. O ruído estrondoso antecipa a bela surpresa que aparece no fundo do grande beco sem saída: a grande queda cercada por paredes laminadas, formadas por inúmeras camadas de arenito, conglomerados e calcários por milhões de anos.




Aproveitamos o máximo, saltando pelas lâminas ou entrando por detrás da cortina de água sentindo encurralada pela força da natureza. É preciso uma certa coragem para saltar contra a cortina, mas logo tudo passa e estamos no meio do panelão deslizando com a correnteza.



A Chapada Diamantina é linda, repleta de atrações naturais e culturais localizadas no coração do estado da Bahia. Suas cachoeiras são simplesmente, maravilhosas.

13 de julho de 2012

O Vale do Paty

Os primeiros habitantes do Vale do Paty foram os índios. No início do seculo XVIII foi descoberto ouro e posteriormente, diamantes na região. A exploração se dá até meados do próximo século onde chega a decadência do ciclo do diamante e inicia a era dos coronéis. Em 1985 é criado o Parque Nacional da Chapada Diamantina dando fim à exploração e início do turismo.


Por do sol nos chapadões


Há diversas opções de caminhada, normalmente as pessoas iniciam a travessia pelo Vale do Capão. Comecei a caminhada pelo povoado Guiné com uma aproximação mais rápida. Segui em direção ao mirante do Cachoeirão, um desfiladeiro em formato de caldeirão com penhascos de tirar o fôlego. Tentei encontrar a trilha que seguia diretamente em direção ao Rio Paty mas esse trecho realmente é um pouco mais complicado. No retorno montei meu acampamento em um ponto livre, na Toca do Gavião.


O mirante do Cachoeirão

No dia seguinte voltei pela mesma trilha para entrar nos gerais do Rio Preto, passei pelas casas do Seu Wilson, Dona Raquel, Prefeitura contornando o Morro do Castelo em direção ao fundo do vale. Os moradores oferecem pousadas simples e refeições a preços não módicos. Acampei antes da subida da Ladeira do Império, último esforço da travessia.

O Castelo visto da prefeitura


A trilha sobe em ziguezague por um pouco mais de uma hora. A descida é longa e tranquila até chegar em Andaraí. O encontro com a civilização é comemorado com um belo almoço na cidade agitada pela feira semanal. O garimpo continua em andamento e busca uma regularização nos meios políticos apresentando projetos que visam minimizar o impacto sobre o ambiente através de reflorestamento e reconstituição do solo.

Diamantes da Chapada Diamantina

Foram três dias com visuais fantásticos dos chapadões do Vale do Paty, com mirantes e cachoeiras para passar horas só admirando a bela natureza. As flores completam as imagens dessa bela travessia característica das chapadas brasileiras.



Chapada Diamantina, um tesouro no coração da Bahia

O grande platô é berço de importantes rios da região como o Paraguaçu, Jacuípe e Rio de Contas e possui paredões com mais de 700 metros de altura. A Chapada Diamantina abriga antigos moradores entre suas belíssimas formações rochosas de onde despencam inúmeras cachoeiras, uma mais bonita que a outra, no coração do estado da Bahia.


Serra do Sincorá


O Parque Nacional, criado em 1985, inclui os municípios de Andaraí, Ibicoara, Itaeté, Lençóis, Mucugê e Palmeiras e seus diversos distritos e bairros como Guiné, Vale do Capão, Igatu entre outros em uma área de 1.520 km² apesar da área total das serras alcançar 38.000 km². 


Infinitas piscinas

Conheci grande parte das atrações mais conhecidas em uma outra oportunidade como a Cachoeira da Fumaça, Morro do Pai Inácio, Poço Encantado, Gruta Azul, Lapão, Poço do Diabo e muitas outras inúmeras cachoeiras como a Cachoeira do Sossego, Primavera, os Ribeirões...
Desta vez fui para Mucugê, fiz a caminhada que atravessa o Vale do Paty e conheci a Cachoeira do Buracão em Ibicoara.


Ruas de pedras


Em Mucugê visitei o Projeto Sempre Viva que visa preservar a uma bela espécie que foi ameaçada de extinção. A cultura de exploração dessa delicada flor é fonte de renda de muitas famílias de ex-garimpeiros devido a decadência de exploração de diamantes. O buquê de sempre viva é passado de geração em geração devido a sua durabilidade de décadas.

Buquê de Sempre-Viva

Uma curta trilha leva a visita de mais duas cachoeiras, Piabinha e Tiburtino e diversas piscinas para banho com a água cor de chocolate e potável como só a Chapada Diamantina pode ter.

Cachoeira do Tiburtino