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“Para viajar basta existir. ... Fernando Pessoa
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31 de julho de 2012

Uma pequena travessura no grande Gelo Continental Patagônico

O Campo de Gelo Patagônico Sul é uma grande extensão dos gelos continentais, terceira mais extensa do mundo (a primeira é a Antártida seguida pela Groenlândia, em segundo). É chamada de "Hielo Continental Patagônico" na Argentina e "Campo de Hielo Sur" no Chile.

Imensidão branca

Chegamos em El Chaltén nas primeiras horas da manhã. Realizamos os últimos preparativos e partimos no ônibus das 15 horas em direção ao Rio Elétrico por 55 pesos. O motorista nos deixou no começo da trilha, logo antes da ponte. A placa anunciava o pagamento de uma taxa de 75 pesos entre as informações, e um protesto pichado "ladrones".

Aviso no início da trilha

Passamos pela casa já era seis da tarde, ninguém apareceu e continuamos sem olhar muito para trás. Caminhamos até oito e meia onde resolvemos acampar em uma praia. Não estava ventando nem fazia muito frio. O Fitz Roy é o primeiro e o último a receber os raios de sol, todos os dias.

Amanhece na praia de montanha

O dia amanhece tarde. Levantamos acampamento e seguimos pela trilha que passa por um largo trecho de deslizamento de pedras. Chegamos na Playita eram umas dez da manhã. A praia patagônica é linda e cheia de curvas sedutoras mas só os pássaros locais para aproveitar um banho, a água é gelada.

As curvas da Playita

Subimos e demos de cara com o glaciar. A língua de gelo apontava direto pra nós. Encontramos marcas na entrada do glaciar logo no começo do gelo. Nos equipamos e... rock n'roll! 
Conforme subíamos, a vista ficava cada vez mais linda. Momento a momento chegávamos mais perto das montanhas, e dos seracs. Houve uns dois desmoronamentos chamando nossa atenção. Passado o perigo, paramos para comer algo.

Caldeirão do Marconi

A subida continuou com uma inclinação mais amena, mas parecia não ter fim. Os últimos raios de sol anunciaram a noite e o cansaço. O Gorra Blanca ficou incrivelmente Rosa, mas ainda não tínhamos chegado. Nove horas, dez da noite, onze... Na insistência caminhamos até que finalmente alcançamos umas rochas e logo, o Refúgio. Casa, comida e colchões!

Gorra Blanca Rosa

Maciço ilustre

O dia amanheceu com algumas nuvens e pouco vento. Foi possível então admirar a vista que a escuridão da noite não deixou. Fitz Roy, Agulha Pollone, Pier Giorgio e até o Cerro Torre, estavam todos lá. A grande plataforma de gelo e o mar infinito de gretas também. Coloquei um som no refúgio enquanto tomávamos o café da manhã. 
Jimi de café da manhã

Saímos vagarosamente do refúgio era quase meio-dia. Descemos para um gelo duro, mas depois veio uma neve quase fofa. Encontramos pegadas antigas de raquete e segui por cima delas.
A plataforma é gigante. Uma imensidão branca delimitada por algumas montanhas. Para alcançar essas montanhas são quilômetros, horas de caminhada. Tudo é longe e branco.

Entre o céu e o gelo

Li uma vez que uns seres tentaram atravessar o gelo puxando caiaques, imaginei a cena surreal.
Paramos perto de uma trincheira para comer. As gretas apareceram novamente e o Cerro Torre se aproximava. Chegamos no Circo dos Altares, um cercado de montanhas magnífico. Subimos por rochas e gretas cada vez maiores, um sobe e desce que judiava. O sol bateu amarelo nas paredes dos altares e se pôs. Acampamos no meio do glaciar quando anoitecia. Não tinha vento, estávamos com sorte. Só estrelas, maravilhoso!

Mar de gretas au naturel

Cercado por altares


Pintaram o céu de azul enquanto dormíamos. Na manhã seguinte não havia nenhuma nuvem, fantástico!
Descemos pelo melhor gelo de toda a trilha: liso, firme e sem gretas. Mal deu tempo para curtir esse tapete, as gretas começaram a aparecer e não pararam mais. Assim demos continuidade a sessão "pula-gretas".
No início do enorme Glaciar Viedma encontramos várias raquetes abandonadas. Apareceram uns totens um pouco mais a frente e entramos na terra. Passamos por algumas lagoas, pela Lagoa dos Esquies e pontos de acampamento, seguimos até chegar em uma planície seca. Completamos um murinho de pedras, como se fosse adiantar muito, e armamos a barraca na maior ventania.

Glaciar Viedma

Paso del Viento e o Glaciar Viedma

Amanheceu molhado. Já imaginava ter que andar com tudo ensopado mas só estava chuviscando. A ventania não dava trégua, embolei a barraca que ficou um rolo só e partimos. Passamos pela Lagoa Ferrari e subimos em direção ao Paso del Viento com o próprio nos sacudindo. Uma hora e meia depois já estávamos lá em cima. Do outro lado tivemos uma vista maravilhosa das geleiras, dali pra frente era só descida.

Glaciares do Rio Túnel

No segundo braço da geleira o caminho é pelo gelo novamente. Caminhamos uns 40 minutos com os crampons, pela última vez. Quando as gretas aumentaram de tamanho, saímos pela terra e encontramos a trilha. Paramos para comer e realizei uma "operação esparadrapo" nos meus pés cheios de bolhas. Eram nove no pé esquerdo e cinco no direito. Coloquei uma meia extra e as botas se transformaram em um cinco-estrelas.

Chuva e sol

Nosso primeiro contato humano foi com um casal que voltava do Paso, avisaram que teríamos que atravessar o rio. O temor virou realidade, tiramos as botas, os pés doeram, congelaram, depois voltaram aos seus postos. Passamos pelo camping da laguna Toro com algumas barracas, eram umas 6 horas.

Caminho de volta: da Laguna Toro a El Chaltén

Seguimos adiante com chuvisco, muito vento e caminhada por uma trilha bem demarcada. Pegamos uma subida longa e suave, passamos por pastos e escureceu. Uma luva minha ficou no meio do caminho, desculpe natureza. Seguimos em silêncio até aparecer as luzes de El Chaltén ao longe. Demorou horas para as luzes se aproximarem. Meus pés doíam, tudo doía. Casas apareceram, placas, estrada, ponte, civilização. Chegamos no albergue meia-noite e meia. Um hóspede apareceu, entrou pela janela do quarto dele e abriu a porta pra nós. Cada um tomou posse de um sofá e dormimos ali mesmo.

Vista aérea

O Campo de Gelo é imenso e traz muitas possibilidades de trilhas, travessias e escaladas. Conhecemos uma pequena parcela dessa plataforma de gelo fenomenal com uma vista diferente de grandes ícones do montanhismo patagônico. Tivemos sorte com relação ao clima que é uma preocupação de grandes proporções quando se trata de expedições nessa região. Parece que tivemos o aval do universo para realizar essa linda travessura.


Mais fotos: http://emiliay.multiply.com/photos/album/64/64
Vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=KO6webxrBuM
Pontos de GPS: http://pt.wikiloc.com/wikiloc/view.do?id=3164019

16 de julho de 2012

A Cachoeira do Buracão

É uma das grandes maravilhas da Chapada Diamantina. Impressiona tanto no porte quanto pela sua localização. Seu nome já diz, é um grande buraco, um panelão, e o melhor é como você chega aos pés dela.




Percorri trinta quilômetros por uma estrada rural com o guia-moto-táxi. Seguimos a  por uma trilha que acompanha o Rio Riachão por cerca de uma hora entre largos fluxos de água e grandes piscinas naturais. O barulho caudaloso da queda atiça os ânimos, chegamos no mirante. Ficamos na borda de um enorme poço natural com cerca de 50 metros de diâmetro e 90 de profundidade.



A trilha continua adentrando os paredões abaixo. Para chegar na cachoeira atravessamos uma ponte e seguimos trepando pela lateral de um estreito cânion, é possível ir pela água também. O ruído estrondoso antecipa a bela surpresa que aparece no fundo do grande beco sem saída: a grande queda cercada por paredes laminadas, formadas por inúmeras camadas de arenito, conglomerados e calcários por milhões de anos.




Aproveitamos o máximo, saltando pelas lâminas ou entrando por detrás da cortina de água sentindo encurralada pela força da natureza. É preciso uma certa coragem para saltar contra a cortina, mas logo tudo passa e estamos no meio do panelão deslizando com a correnteza.



A Chapada Diamantina é linda, repleta de atrações naturais e culturais localizadas no coração do estado da Bahia. Suas cachoeiras são simplesmente, maravilhosas.

13 de julho de 2012

O Vale do Paty

Os primeiros habitantes do Vale do Paty foram os índios. No início do seculo XVIII foi descoberto ouro e posteriormente, diamantes na região. A exploração se dá até meados do próximo século onde chega a decadência do ciclo do diamante e inicia a era dos coronéis. Em 1985 é criado o Parque Nacional da Chapada Diamantina dando fim à exploração e início do turismo.


Por do sol nos chapadões


Há diversas opções de caminhada, normalmente as pessoas iniciam a travessia pelo Vale do Capão. Comecei a caminhada pelo povoado Guiné com uma aproximação mais rápida. Segui em direção ao mirante do Cachoeirão, um desfiladeiro em formato de caldeirão com penhascos de tirar o fôlego. Tentei encontrar a trilha que seguia diretamente em direção ao Rio Paty mas esse trecho realmente é um pouco mais complicado. No retorno montei meu acampamento em um ponto livre, na Toca do Gavião.


O mirante do Cachoeirão

No dia seguinte voltei pela mesma trilha para entrar nos gerais do Rio Preto, passei pelas casas do Seu Wilson, Dona Raquel, Prefeitura contornando o Morro do Castelo em direção ao fundo do vale. Os moradores oferecem pousadas simples e refeições a preços não módicos. Acampei antes da subida da Ladeira do Império, último esforço da travessia.

O Castelo visto da prefeitura


A trilha sobe em ziguezague por um pouco mais de uma hora. A descida é longa e tranquila até chegar em Andaraí. O encontro com a civilização é comemorado com um belo almoço na cidade agitada pela feira semanal. O garimpo continua em andamento e busca uma regularização nos meios políticos apresentando projetos que visam minimizar o impacto sobre o ambiente através de reflorestamento e reconstituição do solo.

Diamantes da Chapada Diamantina

Foram três dias com visuais fantásticos dos chapadões do Vale do Paty, com mirantes e cachoeiras para passar horas só admirando a bela natureza. As flores completam as imagens dessa bela travessia característica das chapadas brasileiras.



Chapada Diamantina, um tesouro no coração da Bahia

O grande platô é berço de importantes rios da região como o Paraguaçu, Jacuípe e Rio de Contas e possui paredões com mais de 700 metros de altura. A Chapada Diamantina abriga antigos moradores entre suas belíssimas formações rochosas de onde despencam inúmeras cachoeiras, uma mais bonita que a outra, no coração do estado da Bahia.


Serra do Sincorá


O Parque Nacional, criado em 1985, inclui os municípios de Andaraí, Ibicoara, Itaeté, Lençóis, Mucugê e Palmeiras e seus diversos distritos e bairros como Guiné, Vale do Capão, Igatu entre outros em uma área de 1.520 km² apesar da área total das serras alcançar 38.000 km². 


Infinitas piscinas

Conheci grande parte das atrações mais conhecidas em uma outra oportunidade como a Cachoeira da Fumaça, Morro do Pai Inácio, Poço Encantado, Gruta Azul, Lapão, Poço do Diabo e muitas outras inúmeras cachoeiras como a Cachoeira do Sossego, Primavera, os Ribeirões...
Desta vez fui para Mucugê, fiz a caminhada que atravessa o Vale do Paty e conheci a Cachoeira do Buracão em Ibicoara.


Ruas de pedras


Em Mucugê visitei o Projeto Sempre Viva que visa preservar a uma bela espécie que foi ameaçada de extinção. A cultura de exploração dessa delicada flor é fonte de renda de muitas famílias de ex-garimpeiros devido a decadência de exploração de diamantes. O buquê de sempre viva é passado de geração em geração devido a sua durabilidade de décadas.

Buquê de Sempre-Viva

Uma curta trilha leva a visita de mais duas cachoeiras, Piabinha e Tiburtino e diversas piscinas para banho com a água cor de chocolate e potável como só a Chapada Diamantina pode ter.

Cachoeira do Tiburtino

19 de dezembro de 2011

A Origem do Homem Americano

Museu do Homem Americano

Atravessei o Piauí e conheci dois Parques Nacionais de grande respeito histórico, com muitos mistérios a serem desvendados até os dias de hoje. Abandonei a leseira praiana para me envolver na história do Homo sapiens no sertão nordestino que pode mudar a história das Américas.

Pedra da Tartaruga

Parque Nacional de Sete Cidades

Pertence aos municípios de Piracuruca e Piripiri, este último pelo qual tive acesso. Peguei carona no ônibus que leva os funcionários para o parque, ele parte diariamente às sete horas da Praça da Bandeira.
Nomeado pelo agrupamento de sete formações rochosas, suas torres abrigam pinturas rupestres que mostram procedimentos de caça e conceitos religiosos entre diversas situações. As pinturas foram datadas em 6000 anos pelo método carbono 14 representam uma maioria de grafismos puros, algumas mãos, pés, figuras humanas e répteis extremamente simples e esquematizados. Uma das mais interessantes é uma estrutura helicoidal que se assemelha ao ADN.


Estrutura helicoidal semelhante ao ADN

O passeio passa pelas cidades de pedra e pelas esculturas formadas pelo vento, sol e chuva através do tempo e receberam nomes como Biblioteca, Pedra do Elefante, Camelo, Cachorro, Cotia não. Apesar do aspecto seco da topografia ruiniforme e da vegetação de cerrado, o parque abriga nascentes sendo possível um bom mergulho na Piscina dos Milagres.

Cabeça do Índio e Três Reis Magos

Pesquisadores passaram por aqui e desenvolveram diversas teorias. Jacques de Mahieu, francês, em 1974 atribuiu as inscrições e pinturas rupestres aos vikings, pela semelhança com os caracteres rúnicos. O suíço Ludwig Schwennhagen acreditava na influência dos fenícios sobre os indígenas, especialmente nos ensinamentos aos chefes tupi sobre o preparo das tintas.
Os trabalhos dos arqueólogos continuam apesar das dificuldades que enfrentam como a conservação dos sítios e apoio financeiro.


Vista do mirante

Parque Nacional da Serra da Capivara

É um tesouro nacional. Em São Raimundo Nonato, sul do Piauí, foram encontradas os vestígios humanos mais antigos das Américas. No sítio arqueológico do Boqueirão da Pedra Furada, na Serra da Capivara foram encontrados fogueiras datadas em 50.000 anos e artefatos de 45.000 anos pelo método carbono 14. Mais abaixo destas camadas a idade dos carvões chegou a 100.000 anos pelo método da luminescência.

Paredes repletas de história

Hoje sabemos que há evidências humanas no sítio arqueológico de Clóvis, Novo México, Estados Unidos, datado de 11.200 anos; em Monte Verde, sul do Chile com 12.500 anos e Luzia, o fóssil humano encontrado em Lagoa Santa, Minas Gerais, com cerca de 11.400 a 16.400 anos que reacendeu os questionamentos da origem do homem americano ter vindo da Sibéria pelo Estreito de Bering. Luzia tem traços de africanos e australianos e sugere diferentes origens ao longo dos 100.000 anos de ocupação humana das terras americanas.


Origens diversas

O Parque Nacional Serra da Capivara abriga importantes sítios arqueológicos repletos de pinturas rupestres. Há figuras humanas, animais, plantas e objetos, grafismos reconhecíveis e pinturas de grafismo puro. Cenas do cotidiano estão representadas com a impressão de movimento em cenas de sexo, partos, caçadas e diversos tipos de rituais.

Patrimônio da Humanidade

A predominância da tradição Nordeste de pintura rupestre na região se caracteriza pelo grafismos reconhecíveis em ação. As figuras humanas e animais aparecem em proporções iguais e são mais numerosas que as representações de objetos e figuras fitomorfas. Os grafismos puros aparecem em nítida quantidade minoritária.
Fósseis de mastodontes, tigres-dente-de-sabre e preguiças-gigantes e diversos artefatos também foram encontrados na região.


Fósseis de gigantes pré-históricos

O Museu do Homem Americano fica perto da cidade e complementa o conhecimento adquirido. Resultado de quase 40 anos de pesquisas expõe crânios, esqueletos e objetos encontrados no Parque e está sempre sendo atualizada com novas descobertas.

Sequência acrobática

O fato é que a história permanece aberta, o trabalho de escavações continua surpreendendo arqueólogos. A origem do Homem Americano permanece em discussão, basta saber se teremos tempo e recursos suficientes para poder reescrever a história como ela realmente aconteceu.

Carne seca, tradição pré-histórica

Para saber mais:
http://www.historiadomundo.com.br/artigos/povoacao-da-america.htm
http://www.comciencia.br/reportagens/arqueologia
http://www.fumdham.org.br/
How old is Luzia? Luminescence dating and stratigraphic integrity at Lapa Vermelha, Lagoa Santa, Brazil - James Feathers, Renato Kipnis, Luis Piló, Manuel Arroyo-Kalin, David Coblentz

21 de março de 2011

Monte Roraima



Depois de atravessar a Venezuela a preço de banana, graças à gasolina que é mais barata que água, finalmente cheguei no Mundo Perdido dos tepuyes.
Tepuy são plataformas enormes, curiosas formações de montanhas de bilhões de anos que se elevam no horizonte da região fronteiriça entre Guiana, Venezuela e Brasil.



Partimos da vila de Paraitepui no calor da Venezuela, nuvens cobriam o topo dos tepuyes Kukenan e Roraima. A caminhada é plana com subidas e descidas leves. Quatro horas depois, passamos pelo acampamento do rio Tek e atravessamos o primeiro rio. A água bate nas pernas, para mim, nas coxas. Mesmo com o conselho de que seria melhor atravessar o rio de meias, atravessamos descalços com os pés deslizando sobre as pedras e os puri puris, ágeis borrachudos, comendo nossas canelas. Um pouco mais adiante, atravessamos o segundo rio, o Kukenan para chegarmos no nosso acampamento.



No segundo dia a trilha segue plana, mas depois de umas duas horas começa a subir. Uma chuva caiu, não intensa, mas leve e densa. Paramos para um lanche no acampamento militar, e pouco mais de uma hora, chegamos no acampamento base. A impressão foi a pior possível, lama e barro por todos os lados, muita sujeira e acampamento lotado, mas estávamos aos pés do big wall.



O dia da subida chegou. A trilha sobe íngreme em direção ao paredão e seguimos por um sobe e desce colado à parede gigante. O calor úmido é refrescado em uma das últimas partes da subida, uma travessia linda sob as gotas da cachoeira chamado de passo das lágrimas. Um pouco mais de esforço e finalmente: Bem-vindo ao Mundo de Roraima!



Não é à toa que os tepuyes são considerados locais sagrados pelos indígenas, as formações rochosas revelam um outro mundo lá em cima como se fosse um grande altar. Caminhamos em direção ao nosso "hotel", como são chamados as cavernas dormitórios, ao lado de um abismo e felizmente tivemos uma vista espetacular paredão abaixo.



Encontramos vale de quartzos, plantas endêmicas, sapinhos em miniatura, cachoeiras, orquídeas, plantas carnívoras a até jacuzzis naturais. Chuva, neblina e sol faziam rodízio durante o dia, pena que tivemos só um dia para explorar o território.



A descida teve um gostinho de tristeza de estarmos deixando aquele platô mágico, mas ganhamos um dia maravilhoso ensolarado que foi fechado com chave de ouro em um pôr do sol magnífico de despedida.



Os indígenas veneram, inspira Conan Doyle a escrever o Mundo Perdido, suas paredes instigam escaladores... o Monte Roraima é um entre mais de cem tepuyes.



Mais fotos no multiply (http://emiliay.multiply.com/photos/album/58)